
A Internet das Coisas deixou de ser promessa tecnológica. Ela já está presente no agronegócio, na indústria, na logística e na infraestrutura urbana. A decisão estratégica, portanto, não é mais se a IoT será adotada, mas em quais condições ela será economicamente viável no Brasil.
A prorrogação, por cinco anos, da isenção de tributos que incidem sobre dispositivos IoT incluindo as taxas do FISTEL altera diretamente essa equação. O tema pode parecer regulatório, mas seu efeito é operacional e financeiro. Ele impacta a capacidade real de escalar projetos.
A escala da IoT no Brasil depende menos de tecnologia e mais de viabilidade econômica.

A narrativa dominante associa o crescimento da IoT à expansão do 5G, à computação em nuvem e à inteligência artificial. A promessa implícita é que o avanço tecnológico, por si só, garantiria a massificação.
Na prática, o principal obstáculo sempre foi estrutural. Dispositivos IoT operam, em sua maioria, com baixo valor unitário e margens reduzidas. A incidência de taxas fixas anuais por equipamento cria uma distorção econômica severa quando o modelo depende de milhares ou milhões de sensores distribuídos.
Não se trata de capacidade tecnológica. Trata-se de arquitetura de custo.

A legislação recém-sancionada prorroga a desoneração de tributos que incidiriam sobre dispositivos de Internet das Coisas e satélites de pequeno porte, incluindo as taxas de fiscalização de instalação e funcionamento vinculadas ao FISTEL.
Sem essa isenção, cada dispositivo ativo estaria sujeito a cobrança anual. Em um ecossistema projetado para operar em grande escala, esse custo recorrente inviabilizaria modelos baseados em sensores de baixo valor. Um equipamento que custa poucas dezenas de reais não pode sustentar uma taxa anual proporcionalmente elevada.
A prorrogação não cria a IoT no Brasil. Mas remove um fator que limitava sua escalabilidade.
No agronegócio, sensores de solo, clima e rastreamento animal dependem de volume e baixo custo unitário para gerar retorno consistente. Na indústria, monitoramento de máquinas e manutenção preditiva exigem milhares de pontos de coleta distribuídos. Em cidades inteligentes, iluminação pública, gestão de resíduos e monitoramento ambiental operam com alta densidade de dispositivos. Na saúde conectada, dispositivos de monitoramento remoto precisam ser economicamente acessíveis para viabilizar modelos preventivos.
Em todos esses casos, o custo fixo por dispositivo afeta diretamente o modelo de negócio. A desoneração não garante adoção automática, mas restabelece viabilidade econômica.
Sensores em escala elevam performance operacional.
Adoção inicial já consolidada.
Taxa fixa anual altera o ROI em cinco anos.
O debate sobre IoT costuma enfatizar inovação. A decisão real envolve estrutura.
A prorrogação da isenção do FISTEL reduz uma barreira crítica à expansão da Internet das Coisas no Brasil. Ela cria previsibilidade temporária e melhora a viabilidade financeira de projetos de larga escala. No entanto, escala sustentável dependerá de planejamento, arquitetura operacional e governança.
Não se trata de celebrar incentivo fiscal. Trata-se de entender seu papel estratégico.
O FBIoT seguirá atuando para que a evolução regulatória acompanhe a maturidade tecnológica do país, transformando complexidade em decisão qualificada.
Menos promessa. Mais aplicação.
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